A Dracma Perdida

Qual o significado da Dracma Perdida? Que diferença faria uma dracma perdida?


Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?

E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.
Lucas 15:8-10

No capítulo 15 do evangelho de Lucas, Jesus conta uma parábola que fala de três perdas, uma das mais intrigantes é a da mulher que a busca com diligência até achar.

O que era e qual o significado da Dracma Perdida?

A dracma é uma moeda grega de prata que estava em uso no primeiro século d. C , por isso encontramos referências nos evangelhos exemplo no de Lucas. (Lu 15,8, 9) Na frente e verso da dracma ática estava estampava a cabeça da deusa Atena numa face e na outra uma coruja.

Para tentar estabelecer um valor, poderíamos compará-la com o Denário, que era uma moeda romana (Marcos 14,5 diz que o perfume custava 300 denários; Marcos 6,3 e João 6,7, na multiplicação dos pães, diz que precisaria de 200 denários pra matar a fome do povo). Na parábola dos trabalhadores da vinha, Jesus diz que o patrão concordou com os operários a paga de um Denário por dia (veja Mateus 20). Na época um denário correspondia a uma dracma. 

No período do ministério terrestre de Jesus, já existia a presença dos conquistadores romanos e a dracma teve seu peso reduzido. No primeiro século d. C., os gregos equiparavam a dracma ao denário (moeda romana), mas o governo romano calculava o valor oficial do dracma como de três quartos de um denário. Em outras palavras a moeda do conquistador valia mais.

Havia um costume os casais: O noivo presenteava sua noiva com um colar de 10 dracmas que ela deveria guardar com cuidado até o casamento. O colar representava um tesouro, a importância do compromisso. Era o símbolo da aliança que os noivos usam hoje, a mulher que circulasse pelas ruas usando um colar deste tipo deveria ser respeitada porque estaria compromissada com alguém.

Não podemos afirmar que Jesus falava de uma mulher nesta situação, mas como noivos darem colares com 10 dracmas às suas pretendentes era uma moda da época é bem provável que fosse exatamente este o caso.

Que diferença faria uma dracma perdida?

A mulher que perdesse uma dracma representava uma vergonha para o noivo, era vista como uma mulher relaxada e desinteressada, com poucas chances de ser uma boa esposa. Se não poderia cuidar de um colar como daria conta de uma casa? Perder uma dracma significava não dar importância ao compromisso, poderia ser interpretado como um "não amo você", ela corria o sério risco de perder o noivo; era uma ofensa tão grande que dava a ele o direito de desistir do casamento.

10 dracmas simbolizavam a importância do compromisso "para sempre" do casamento. Guardar com zelo e carinho era uma autêntica prova de amor. Uma noiva com nove dracmas não estaria pronta para casar-se. Imagine uma noiva suja e despenteada para sua cerimônia matrimonial, que noivo aceitaria? É mais ou menos isso.

Simbolicamente, a dracma representa tudo que a Igreja de Cristo deve guardar até a volta de Jesus. Repare que a não foi roubada pelos inimigos, nem perdida fora de casa durante o trabalho secular, ela foi perdida dentro de casa, em alguma circunstância doméstica.


O que podemos concluir com isso?

Trazendo para nossos dias, de muitas interpretações que este assunto pode ter, farei apenas três, um cristão não pode perder :


a) A Santidade e a A fé. Somos frustrados por qualquer situação contrária, ou mesmo por um "não" que recebemos de Deus; se não dominarmos nossa mente essas situações podem afetar nossa fé ou nossa confiança em Deus; Nos pessoas confiam desconfiando, sentem medo de não se sentirem satisfeitos com os planos que Ele tem para nós. Também não podemos nos deixar dominar pelo pecado que nos separa do amor de Deus


O oleiro não pode moldar apenas um pedaço do vaso, é necessário entrega completa, confiança total em Deus; Pela fé somos salvos (João 3.16); Jesus deixou bem claro ao realizar alguns milagres: "A tua fé te salvou" (Mateus 9:22, Lucas 7:50, Lucas 17:19, Marcos 10:52, Lucas 18:42). Paulo já ensinava: Sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6), ele foi um cristão muito sábio: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" (2 Timóteo 4:7), Paulo sabia que a dracma da fé não podia faltar. 

A santidade também é uma dracma que não pode faltar, a Bíblia nos instrui: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;" (Hebreus 12:14)

b) A comunhão dentro de casa. Existem muitas pessoas que não sabem como conviver dentro de  seus próprios lares. Pais que provocam ira em filhos (Efésios 6.4) que se recusam a ir para a casa do Senhor; Maridos e esposas que não sabem ou esqueceram como ser companheiros; Pessoas que não sabem falar, esquecem que a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (Provérbios 15:1); Há pessoas que pensam que a comunhão com a igreja é mais importante que a amizade com os de casa, estão errados. Jesus disse que a casa dividida contra si mesma cairia (Lucas 11.17). Paulo alertou à Timóteo (1 Timóteo 3:5) : "se um homem não sabe governar a sua casa, como cuidará da igreja de Deus?"  

c) A comunhão dentro de Igreja. Quantas vezes temos desprezado um irmão por não concordarmos com suas atitudes? Quantas vezes a igreja tem deixado de lado os pequeninos que precisam de ajuda: os fracos na fé (Romanos 14.1), os que tem causas não resolvidas, os quebrantados de coração (Isaías 61), os doentes, os presos etc. Apontar os erros dos outros é muito fácil, mas quem se colocará na brecha? Quem chorará com os que choram (Romanos 12.15)?

Quantos de nós tem agido como verdadeiros fariseus? 
"O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." Lucas 18:11-12

No sermão da montanha Jesus enumera as bem-aventuranças do crente, mas tem algumas que às vezes nós mesmo não conseguimos reconhecer dentro da igreja: os pobres de espírito (Mateus 5:3), os que choram (Mateus 5:04, os que têm fome e sede de justiça (Mateus 5:6), os que sofrem perseguição por causa da justiça (Mateus 5:10), os sofrem injúria (Mateus 5:11)


1.     Ela não pretendia perder a dracma, perdeu sem querer  
A mulher perdeu a moeda durante alguma função doméstica. Ela não pretendia colocar seu futuro à prova; aquela situação era um imprevisto. Não sabemos se foi por descuido, negligência ou simples distração, o fato é que ela perdeu parte importante de seu tesouro dentro de sua própria casa.

Devemos estar atentos às coisas valiosas que temos para apresentar a Deus, não devemos deixar que as ocupações domésticas nos tirem a atenção do tesouro que temos recebido de Deus ao ponto de perdê-lo dentro de nós, dentro de casa, ou mesmo dentro da igreja; 

2.     Próxima, embora invisível;
A dracma não estava fora de alcance, estava perto, perdida em algum cantinho solitário, ali dentro de casa. Apenas fora do campo de visão, não poderia estar longe, bastava procurar para encontrá-la. 

O que temos perdido e continua próximo de nós? Mãe, seu filho rebelde ainda está em casa? Ore por ele diligentemente, jejue, insista, não desista desta herança que Deus te deu. Filhos, respeitem os pais que Deus te deu, o próprio Senhor vos abençoará por isso (Êxodo 20.12); Marido, esposa, lembrem que o compromisso do casamento é eterno, seja por impaciência, desamor, desinteresse, não separem o que Deus uniu (Mateus 19.6), restaurem a confiança, Deus uniu o homem à mulher para que fossem uma coisa só, isso significa dividir alegrias, tristezas, bênçãos e problemas, se procurarem com diligência acharão uma forma de reconstruir o que se perdeu. Por último é necessário que atendamos às necessidades uns dos outros, Paulo nos ensinou: "façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé"(Gálatas 6:10).É tempo de restaurar relacionamentos.

3.     Havia sujeira, escuridão?

Alguns historiadores afirmam que a economia judia era dependente do comércio de lã. Era função das mulheres fazer roupas com a lã das ovelhas e com as peles fazer capas, também tecer panos do pelo dos bodes. Podemos conjecturar tufos de pelos de animais rolando pelo chão da casa, daí a necessidade de varrer a casa. Também foi necessário acender uma candeia (lâmpada) para ajudar na procura, certamente os cantinhos da casa onde ela precisava olhar estavam escuros, carecendo de iluminação.


Para achar o que temos perdido precisamos muitas vezes limpar o local. Essa sujeira pode ser uma forma de falar que suscita a ira; pode ser uma amizade que tem trazido contenda para dentro de casa; pode ser uma contenda injusta ou não dentro da igreja; pode ser um pecado escondido. 

Será que estamos preparados para abrir mão do que tem escondido nosso tesouro?


A mulher perseverou em sua busca com diligência (Lucas 15.8) até achar, e tendo achado convidou suas amigas e vizinhas para se alegar, estava livre do que poderia ser a maior vergonha da sua vida, e comemorou! Também devemos comemorar nossas vitórias com comunhão.


Fontes:
http://thiagorogel.wordpress.com/2012/03/17/quer-casar-comigo-uma-alianca-ou-dez-dracmas/
http://www.abiblia.org/ver.php?id=7177#.Uyzf06hkSPM
http://sombradoonipotente.blogspot.com.br/2012/09/a-dracma-perdida.html
http://www.igrejacristamaranata.org.br/?p=993
http://onnesilva.blogspot.com.br/2013/01/texto-lucas-15.html

http://www.lideranca.org/amtb/downloads/sil/judeus.pdf

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